sábado, 25 de fevereiro de 2012

Casa de Parto?

 “A maternidade tem o preço determinado por Deus, preço que nenhum homem pode ousar diminuir ou não entender.” Helen Hunt Jackson.

Maria, após nove meses sem conseguir fazer o pré-natal
pariu numa chamada “casa de parto” onde ninguém se preocupou em lhe dizer o que iria acontecer. Desenvolveu uma psicopatia relacionada ao trauma obstétrico e tentou assassinar seu rebento que nasceu depois de quase doze horas de sofrimento.
Severina, que já havia parido muitos filhos, desta vez não teve a força suficiente nas contrações para expulsar aquele que seria seu último filho e o viu ser retirado aos pedaços após a sua morte sem que ninguém lhe explicasse o que tinha ocorrido.
Júlia,transformara-se na estrela da família afinal, para quem nunca tivera um neto, ela de uma vez só os presentearia com um casal, isso se alguém tivesse percebido que estavam sofrendo e a encaminhasse para um lugar onde pudesse ter recebido assistência médica, como isso não ocorreu só restou a tristeza e a dor pela perda.
Marina, depois de passar os nove meses da gestação em uma verdadeira espera... Esperou pelas consultas...
Esperou pelos exames... Esperou pelos medicamentos...
E, esperou por um médico que nunca chegou...
O pior foi que a fizeram esperar por um filho que nunca nasceria porque morto já estava no interior do seu útero na sua barriga.
Os nomes são fictícios, as histórias, infelizmente, não, e esta tem sido a saga das mulheres que necessitam de atenção à sua saúde em municípios, como o nosso, que não dispõe de um serviço que atenda àquela que é a essência da existência de toda mulher: Ser a mãe.
A consequência trágica disto tudo é que estamos produzindo um contingente sem tamanho de crianças, que quando conseguem nascer, no futuro, certamente, apresentarão um grau de deficiência que as tornarão, para nossa infelicidade, em um exército de débeis mentais, com dificuldades na aprendizagem, o que as levarão a manter no poder àqueles que o produziram ou seus semelhantes.
Custa-nos crer que seja possível a um governante, de cuja capacidade intelectual ninguém duvida, desconhecer as práticas empregadas na sua gestão no que se refere aatenção a saúde da mulher gestante. Mais o que causa-nos um verdadeiro asco é ouvir de alguns energúmenos a defesa destes atos... Isto nos evoca a frase que o filho de Deus,ao ser martirizado na cruz, pronunciou: Pai, perdoai, eles não sabem o que fazem (dizem).
Causa-nos também uma espécie de desânimo perceber que por mais que se avolumem as denúncias, por maior que seja o número de vítimas, independente das histórias, que mais parecem retiradas de um filme de terror, parece que todos, TODOS, estão paralisados por uma espécie de letargia que os impede de se indignar.
Temos uma bancada de vereadores que possui, entre seus membros, pessoas advindas da área da saúde, tanto na situação quanto na oposição; o apelo que faço através deste artigo é para que independente da agremiação partidária a que pertençam, convoquem,com o apoio de seus pares, o titular da pasta responsável para que explique o que está acontecendo e qual o seu planejamento estratégico para solução desta situação, baseada em um cronograma de objetivos, com planos, metas e prazos definidos para o enfrentamento desta que, na concepção deste escriba, é a maior tragédia que vive a nossa população.
Neste que é o mês dedicado a todas as mães faço um apelo e, neste caso sem o caráter meramente oposicionista, que muitos teimam em apelar para a falta de bom senso, para que todos os atores envolvidos, trabalhadores da saúde, que me fornecem as informações com a esperança de que haja mudanças, dos responsáveis pela gestão, dos legítimos representantes do povo, os vereadores, o Ministério Público, o judiciário, a igreja nas suas mais diversas representações e todos àqueles que se sentem responsáveis pelo que acontece no seu entorno, para, juntos lançarmos um basta a esta situação absolutamente incompatível com o nível de civilização atingido por nós, para que possamos exorcizar a volta da barbárie em nosso meio.
 
Acertando os pontos com Pedro Melo, coluna do Jornal Tribuna em Dezembro de 2010. 
De lá para cá, o que mudou? 
 
Pense nisso #tanahorademudar

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