terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

MUDAR PARA VENCER O MEDO

Nada é mais assustador para uma criança do que o medo causado pelas histórias contadas no leito, pelos adultos, até que o sono chegue e as faça adormecer profunda e inocentemente. Nos últimos dias, fui procurado pessoalmente por diversas pessoas, fui contactado inúmeras vezes por telefone e tenho sido acessado constantemente através do meu endereço eletrônico e, as histórias que me tem sido relatadas são de tirar o sono de qualquer um além de provocar pesadelos em quem consegue dormir e de fazer com que nós tenhamos a mesma sensação de uma criança quando lhe contam uma história de terror: o MEDO.
Tenho MEDO que seja verdade que as nossas crianças padeçam nas precárias salas de aula do município enquanto os recursos são utilizados para pagar professores residentes em Fortaleza, Brasília (inclusive para surpresa deste que quando aqui esteve, em férias, tomou conhecimento e procurou o Ministério Público para denunciar), Recife e Belém no Pará.
Tenho MEDO que seja verdade que professores da nossa rede municipal de educação estejam recebendo recursos da nossa cidade e estejam trabalhando para o Governo do Estado, para a multinacional TIM, para a Assembléia Legislativa, entre outros e, enquanto isso, os que aqui trabalham tiveram que ingressar na justiça para receber os quase 300 mil reais pertencente aos 60% do FUNDEF.
Tenho MEDO que seja verdade que ao ocupar um cargo público através de um mandato que lhe foi concedido pela população um vereador possa se sentir tão devedor do chefe do executivo ao ponto de se calando diante de tantas injustiças cometidas contra seus pares ser protagonista de um silêncio ensurdecedor.
Tenho MEDO que seja verdade que a titular da secretaria responsável pela formação dos nossos jovens preencha e apresente em seu nome e de outros certificados de cursos dos quais a mesma não tenha participado.
Tenho MEDO que seja verdade que professores que ocupam cargos na administração se aproveitem disto para fazer permutas com professores de outros municípios e ambos não trabalharem onde deviam.
Tenho MEDO que caia no esquecimento a história da professora que ao saber que estava na folha de pagamento desde 2006 sem nunca ter trabalhado no município, procurou o Ministério Público e comprovou a fraude que em seu nome se praticava.
Tenho MEDO que seja verdade que além do episódio anual da humilhação a que são submetidos aqueles que querem trabalhar na educação, agora tenha se acrescentado à lista de maldades a obrigação de pagar o aluguel, a água e a luz do local onde ensinam.
Tenho MEDO que seja verdade que para se conseguir que se repare uma injustiça feita contra uma professora a sua mãe tenha que vigiar a secretária e na feira diante de todos a ameaçar e com isso conseguir imediatamente o “contrato” anteriormente negado.
Tenho MEDO que seja verdade que as redundantes provas documentais existentes não tenham sido entregues ao Ministério Público e que por isto o mesmo não possa tomar as medidas punitivas possíveis para acabar com o desmando, a prepotência e a irresponsabilidade de alguns gestores que pelo tempo que ocupam a pasta a quem deviam servir já se sintam como os verdadeiros proprietários das mesmas e que por isso não estão nem ai para o que diz a Lei.
Tenho MEDO que seja verdade, que dois secretários municipais, um deles inclusive, com um patrimônio inconcebível para o salário que percebe (segundo dizem), tenham se unido em torno de um projeto comum de natureza deletéria aos cofres públicos e que para atingir os seus mesquinhos objetivos tenham destruído a promissora carreira de um jovem funcionário cujo maior pecado foi acreditar que seria perdoado por aqueles a quem tanto beneficiou com a sua ingênua assinatura.
Tenho MEDO que seja verdade, que o chefe de um executivo municipal com tantas demandas da população desassistida, com um governo medíocre, que até agora não representou nenhuma melhoria na vida daqueles que acreditaram na sua mentirosa propaganda, com um sistema de saúde que humilha, denigre e escandaliza aqueles que dela necessitam, esteja canalizando energias para destruir a conquista de uma categoria de servidores (os Agentes Comunitários de Saúde), que representam o que temos de melhor na precária saúde pública municipal.
Tenho MEDO que seja verdade, que a saída de um funcionário graduado da administração represente a discórdia deste com os desvios, desmandos e mal intencionadas condutas adotadas por aqueles que como “ratazanas de porão” só pensam em se locupletar cada vez mais dos parcos recursos municipais utilizando para isso de todas as artimanhas para afastar, destruir e desacreditar aqueles que ousam interferir no processo cada vez maior de apropriação indevida do patrimônio municipal.
No entanto, o meu grande medo é que apesar de todas as evidências grande parte da nossa sofrida e desgovernada população que não tem uma saúde decente porque a gestão é incompetente e irresponsável, que não tem uma educação de qualidade porque a gestão não tem interesse que a população tenha conhecimento, que não tem segurança porque a gestão acha que isso “beneficia” a um vereador e que por não ter nada para inaugurar no próximo dezenove de maio requenta uma obra da administração passada e a entregará a população na data do seu aniversário, não seja capaz de transformar a indignação em um sentimento muito forte de decepção que com certeza nos libertará através da mudança.

Acertando os pontos com Pedro Melo, coluna do Jornal Tribuna em Abril de 2010. 
De lá para cá, o que mudou? 

Pense nisso #tanahorademudar

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