terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

ORGULHO E PRECONCEITO

ORGULHO - Foi com muito orgulho que aceitei o convite para fazer parte da comitiva do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em sua recente visita a nossa vizinha Garanhuns. Na condição de Coordenador do SAMU Regional e Coordenador da Urgência e Emergência da cidade de Caruaru fui um dos responsáveis pela garantia de que, no caso de qualquer acidente ou necessidade de pronto atendimento com sua excelência, o presidente, com algum dos membros do seu “staff” ou, ainda, com as pessoas que participavam das solenidades, o SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, referência em qualidade no atendimento pré- hospitalar, estaria presente e pronto para intervir sempre que fosse acionado.
Porém, foi com uma imensa vergonha que, ao participar das reuniões preparatórias para o evento tive que justificar o injustificável: a ausência do SAMU na V GERES – Gerência Regional de Saúde, com sede em Garanhuns. Como explicar para os nossos ilustres visitantes que mesmo sendo a nossa região uma das mais movimentadas do Estado, com um tráfego intenso de caminhões e de ônibus, com milhares de passageiros que se dirigem ao Pólo de Confecções do Agreste, não possui o SAMU? Como justificar que, mesmo sendo da quinta regional de saúde o Presidente do órgão que representa os municípios do estado de Pernambuco, que está Prefeito da nossa cidade pela terceira vez, não faz o menor esforço para implantar o SAMU na nossa região? Como explicar que o SAMU só será implantado entre nós graças a um trabalho desenvolvido pelo Governo do Estado ao Colegiado de Secretários Municipais de Saúde e com os Coordenadores Regionais do SAMU, dos quais faço parte, para ampliação do serviço do SAMU? Dá para acreditar que o presidente de um órgão representativo dos municípios reúna os prefeitos desta região para incentivá-los a não aceitar a implantação deste serviço primoroso?
Acredito que se a população tivesse conhecimento do “esforço” que o atual gestor municipal tem feito para implantar o SAMU na nossa cidade, certamente entenderia porque critico tanto nesta página a propaganda enganosa alardeada aos quatro cantos pelo mentiroso slogan “o povo em primeiro lugar”.
Chega a ser irresponsável a forma como um assunto tão sério é tratado por quem deveria representar o povo nos seus anseios e nas suas necessidades. Será que o fato do SAMU não ser governado pelo gestor tem alguma influência nesta ensandecida decisão de não implantar o serviço na nossa cidade? Tomara que a minha crítica se transforme na alavanca para a decisão de o fazer. Foi assim com os PSFs, que o atual gestor dizia ser “invenção de Pedro Melo para dar emprego a médico”. Pena que os de nossa cidade funcionem sem médicos...
Por diversas vezes tenho utilizado este espaço para fazer críticas a forma desordenada, irresponsável, desumana e anti-ética como a educação, os educandos e os educadores tem sido tratados pela atual gestão. Já não basta a humilhação dos contratos, forma precária de relação de trabalho perpetuada nesta gestão; já parece natural a utilização dos professores como office boys para entrega de mercadorias aos humilhados necessitados; parece natural, e não nos causa mais indignação, a utilização de professores para fazer faxina em imóveis estranhos a educação; a utilização de carros oficiais para serviços pessoais é absolutamente normal; a qualidade da merenda não merece sequer um pronunciamento; não ter cadernetas nas salas de aula no segundo semestre é banal; salas com dez alunos e dois professores e salas com quarenta alunos sem nenhum professor é só uma questão de metodologia; não ter professor para disciplinas básicas é apenas uma formalidade; receber diplomas sem participar das capacitações é sabedoria; trazer certificado para quem não foi é esperteza e, esse tal de IDEB não vale nada porque quem sabe o que os nossos alunos precisam aprender é o nosso “líder” e, afinal, quem aprende pergunta e quem pergunta quer saber...
Pois bem, como se fosse um plano ardilosamente planejado para fazer com que a educação do nosso município ficasse refém de uma minoria, temos uma verdadeira operação de guerra nos subterrâneos do poder, para maquiavelicamente criar as condições para que apenas um grupo de privilegiados usufruam as benesses do saber. Pois não é que estão querendo criar um monopólio da educação e obrigar as pessoas a se submeterem a uma espécie de preparo onde só a estes será oportunizado o direito de trabalhar na educação municipal? Isto é PRECONCEITO.
De forma bastante clara, alguém fraternalmente ligado a gestão implanta um serviço educacional que se torna pré-requisito para o ingresso no mesmo. Não estaria na hora de perguntar se não está faltando vergonha, ou seria falta de óleo de peroba?
Lajedenses! Escutai atentamente aos discursos que lhes serão dirigidos nesta época de tanta fartura na palavra fácil dos descompromissados e atentai para a nossa realidade, onde faltam seriedade, respeito e atenção às necessidades de um povo cada vez mais carente e desiludido com a falsa sensação de segurança, com a caótica situação da saúde, com a educação de péssima qualidade, imposta, com a falta de dignidade dos servidores que são obrigados a representar o papel de subjugados e, principalmente, pela falta de perspectiva a que estão condenados os jovens da nossa cidade, que a cada dia ampliam o exército de “exilados” de sua terra natal pela falta de condições de sobrevivência na localidade na qual alguns teimam em se apresentar como donos, mas que já deram provas suficientes de que o respeito pelo povo definitivamente não faz parte do seu vocabulário.
Acertando os pontos com Pedro Melo, coluna do Jornal Tribuna em Agosto de 2010. 
De lá para cá, o que mudou? 
Pense nisso #tanahorademudar

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