Quando escrevi o artigo Onde está o praefectus?no início de 2009, onde citei a frase do Gov. Eduardo Campos: “Ninguém toma conta de uma casa, de uma prefeitura, de um governo ou de uma Presidência da República se não tiver disposição, vontade, desejo. Se não colocar a alma à disposição da sua luta”, recebi um e-mail que me criticava bastante pois, segundo o mesmo, eu estava com “ressaca da derrota eleitoral” e, conforme o signatário que segundo afirmava haver votado no atual prefeito, eu estava cobrando de forma equivocada o que o eleito ainda não teria tido tempo de fazer.
Preferi não responder porque, momentaneamente, achei que o leitor não tinha razão, mesmo assim, procurei policiar-me ao máximo para evitar que minhas críticas tivessem um caráter revanchista. Durante os dois últimos anos, mês a mês, estive presente nesta coluna com artigos que trataram do descaso com o qual a atual administração tem conduzido a nossa cidade. Sequer, considerei o fato de que o atual governo é a continuação do mesmo que iniciou-se em primeiro de janeiro de 1997, portanto, há exatos 16 anos, o que significa dizer que teve tempo suficiente para conhecer, diagnosticar e tratar dos graves problemas demandados pela população e pelo dia a dia da nossa cidade. No entanto, o que temos é o maior abandono que se tem notícia por um governante da comunidade que ele deveria governar.
Não comparece ao seu lugar de trabalho, a prefeitura, (se fosse um trabalhador comum já teria sido demitido por justa causa); quando vem a cidade é às escondidas e despacha da sua própria casa como se a mesma fosse uma extensão da prefeitura (é possível que ele acredite nisso...), e o que é mais estranho: não quer nem ouvir falar nos problemas da cidade. Seus secretários, sim,seus, porque do município há muito tempo deixaram de sê-lo, já sabem que não podem falar sobre as necessidades de suas respectivas pastas para não contrariá-lo e, na falta de perspectivas e/ou alternativas para as suas gestões, consomem o tempo com as mesmas e desgastadas piadas (imagino o quanto riem da maior piada que é esse governo e de nós “palhaços” a quem pensam que podem enganar o tempo todo...).
Portanto, talvez agora, após dois anos perdidos na nossa história, o leitor atento ao tempo e certamente também atento ao lamentável estado de abandono em que se encontra nossa querida Lajedo, não me questione ao perguntar mais uma vez: ONDE ESTÁ O PRAEFECTUS?
Seus áulicos defensores talvez ainda consigam junto aos mais crédulos ou mais ingênuos, impregnar a mentira tantas vezes repetida de que ele, pela sua importância, encontra-se em Brasília (certamente dando aulas à Presidente Dilma de como não ser um bom governante) ou, quem sabe, orientando os prefeitos, já que preside a entidade que os representa, a como perder a credibilidade junto aos seus eleitores pelo não cumprimento das promessas de campanha ou, como governar através de um preposto, sem sair de casa. Eu, particularmente, acredito que o mesmo tenha estado ocupado ensinando o Governador Eduardo Campos, de quem se diz amigo, o novo modelo administrativo que adotou na nossa cidade, como por exemplo, manter um secretariado a despeito da grita da população, durante 16 anos nos cargos (o governador certamente não concordou porque trocou todos em apenas quatro...); tratar os professores, a quem deveria reverenciar, como capachos, mantendo e apoiando todos os desmandos praticados na pasta pela sua titular e fazer absolutamente de tudo para que a população não tenha assistência médica.
Sou um assíduo leitor do Portal de Lajedo – um parêntese aos que me cobram uma participação no mesmo – deixei de postar minhas opiniões porque o mesmo ultimamente tem sido palco de um “debate” virtual e na minha modesta opinião o mural não é adequado para o debate sendo, tão somente um lugar para a aposição de opiniões a respeito dos mais diversos temas. Como disse, tenho acompanhado a crescente onda de insatisfação manifestada nas opiniões ali postas, o que demonstra claramente o processo de decadência que o atual grupo político que está no poder há quase vinte anos, motivo alegado para a mudança em 1996, vem acumulando, e isto renova no meu ser a esperança de que novos rumos estão próximos de acontecer.
Como se fossem poucos os problemas na Educação, na Saúde e na limpeza pública (porque não utilizarem nas roupas dos servidores as cores “oficiais” de lajedo: o azul e o vermelho?), temos agora mais um gravíssimo: o aumento de acidentes por conta da velocidade exagerada nas vias públicas. O que precisa acontecer para que se tome as devidas providências? Uma tragédia? Espero que não...
Como se vê, a continuar assim, será melancólico o fim de um governo que se arvora de salvador da pátria, que corre o risco de chegar ao final como gerente do caos e ouvir na sua despedida o desabafo dos que já não suportam mais tanto desprezo e quando partir ecoará nos quatro cantos do nosso torrão o refrão: JÁ VAI TARDE.
Acertando os pontos com Pedro Melo, coluna do Jornal Tribuna em Fevereiro de 2011.
De lá para cá, o que mudou?
Pense nisso #tanahorademudar