Vergonha! Este é o sentimento que a maioria das pessoas sente ao constatar que a Prefeitura Municipal de Lajedo transformou-se na sucursal de uma fazenda lajedense. O prefeito que há muito não comparece ao local de trabalho (existem relatos de que o mesmo já chegou ao absurdo de comparecer menos de 7 (sete) dias ao seu local de trabalho em um mês), faz escola e, comenta-se, que um dos secretários, encastelado há 15 anos numa secretaria, por isso talvez o mesmo a tenha como da sua propriedade, transferiu para a sua residência o expediente que deveria cumprir na prefeitura.
Como se fora pouco, as denúncias da existência de um verdadeiro “mercado persa de consciências” que funcionaria no local, comenta-se que lá também foi instalada a garagem dos veículos oficiais que, ao invés de guardados aos olhos do controle social, escondem-nos da população, facilitando, assim, as constantes negativas de atendimento aos que necessitam destes serviços.
Isto certamente facilita a compreensão das inúmeras denúncias do uso indevido de carros oficiais por secretários e funcionários em horários fora do expediente e em locais onde seja pouco provável que os mesmos estejam exercendo a função que os contribuintes lhes pagam para executar, como por exemplo, em bares e shoppings centers (North Shopping e Shopping Difusora de Caruaru, em pleno sábado à tarde). É verdade que após 15 anos utilizando um veículo público alguns energúmenos cogitem a possibilidade de que o mesmo seja de sua “propriedade”; isto explica o comentário de um secretário ao ser questionado por esta prática: “eu abasteço e mando lavar com meu dinheiro...”. É o teatro do absurdo ou a crônica de um desmando anunciado?
Como se tudo isto fosse pouco, comenta-se, a boca miúda, que existe uma ordem, não escrita, para que o “Príncipe” não seja “incomodado” com “problemas da prefeitura” e desse “povo de Lajedo que só sabe pedir”, quando raramente vem visitar a cidade que deveria governar. Aqui cabe o velho bordão: Seria cômico se trágico não fosse. Por que será que pede o povo de Lajedo? Não será talvez, influenciado por histórias contadas nas esquinas que alguém, um dia, ganhou 900 reais, NOVE NOTAS DE CEM, para pagar o seu IPTU porque teve a coragem de incomodar o “Príncipe” e por esta “audácia” fora premiado? Ou será que tudo não passa de invenção deste “povo de Lajedo que só sabe pedir”? Aqui certamente um bom tema para uma tese de sociologia...
Portanto, assim caminha a nossa cidade, abandono sem tamanho, desmando sem fim, ausência dos serviços essenciais para a população, perseguição a funcionários, tentativa de censura aos meios de comunicação, uso indevido dos bens públicos, desabastecimento das unidades escolares, sucateamento dos equipamentos públicos, ausência da autoridade no município, desvirtuamento da função de secretários municipais e, por fim, mudança do local de atendimento da prefeitura para a residência de um dos secretários.
Parafraseando o ex-presidente Lula, “nunca na história da nossa cidade” tivemos a oportunidade de observar uma quantidade tão impressionante de lixo nas suas ruas, nem a quantidade exagerada de areia no seu asfalto, provocando inúmeros acidentes especialmente com os mototaxistas e, o que é inexplicável, porque temos médicos nas cidades de Calçado e Jupí e não os temos em Lajedo? Porque o Poder Legislativo não convoca o Secretário de Saúde para que o mesmo apresente a sua estratégia para enfrentar o problema? A quem ele beneficia com a sua inércia?
Até quando a imensa massa silenciosa, massacrada, desassistida, carente, impotente, ficará inerte diante de tamanha falta de respeito? Será que ouviremos o silêncio ensurdecedor transformar-se num grito de liberdade e mudança? Quando será que veremos o Poder Legislativo assumir o seu papel de representante do povo e não capacho do executivo que o conduz ao seu bel prazer?
Até quando seremos obrigados a assistir a inauguração de uma mesma obra por duas vezes? Até quando?
Onde quer que você vá, em qualquer que seja o recanto deste município, encontrará um farto material de denúncias, reclamações e, aqui cabe uma constatação: a descrença no Poder Legislativo, a falta de confiança no Ministério Público e a certeza da impunidade o que alimenta a expectativa de que por mais que alguns “Dom Quixote”, como eu, insistam em fazer rodar “os seus moinhos de vento”,as coisas só fazem piorar porquê “o homem tem a caneta” e “a chave do cofre” e, quando o período eleitoral aproximar-se, ele saberá como usá-las, como das vezes passadas. É o que se fala...
Acertando os pontos com Pedro Melo, coluna do Jornal Tribuna em Setembro de 2011.
De lá para cá, o que mudou?
Pense nisso. #tanahorademudar
Nenhum comentário:
Postar um comentário