Realmente, nada está bom. Porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos, há uns anos atrás de
estímulos? Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria. Esperança
que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na
vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais.
Para quê o estudo? Por que numa época com tantos estímulos não vemos
olhos brilhantes nos jovens? Quem, dos mais velhos, não lembra a emoção
de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em
árvores?
E, nas aulas, havia respeito, amor pela pátria..
Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na
lousa e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência.
Se não
soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo
terrível, mas eficiente, exame de admissão. E tínhamos motivação para
isso.
Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam
filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil
para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução),
levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus, só
os mais corajosos!) e, algumas escolas públicas onde a renda dos pais
comporta, até a passeios interessantes, planejados minuciosamente, como
ir ao Beto Carrero.
E, mesmo, assim, a indisciplina está presente,
nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes”,
elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos
fins-de-semana, tudo sem remuneração;
Todos os profissionais têm
direito a um intervalo que não é cronometrado quando estão cansados.
Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir
ao banheiro ou tomar às pressas o cafezinho. Todos os profissionais têm
direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um
lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40 h.semanais. E a
saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado
médico tem que repor as aulas. Plano de saúde? Muito precário.
Há
de se pensar, então, que são bem remunerados... Mera ilusão! Por isso,
cada vez vemos menos profissionais nessa área, só permanecem os que
realmente gostam de ensinar, os que estão aposentando-se e estão
perplexos com as mudanças havidas no ensino nos últimos tempos e os que
aguardam uma chance de “cair fora”.Todos devem ter vocação para Madre
Teresa de Calcutá, porque por mais que esforcem-se em ministrar boas
aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”,”puta”, “gordos “,
“velhos” entre outras coisas. Como isso é motivante e temos ainda que
ter forças para motivar. Mas, ainda não é tão grave.
Temos
notícias, dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos.
Futuramente, esses mesmos alunos, talvez agridam seus pais e familiares.
Lembro de um artigo lido, na revista Veja, de Cláudio de Moura
Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de
seus cidadãos ultrapassa um certo limite.
E acho que esse grau já
ultrapassou. Chega de passar alunos que não merecem. Assim, nunca vão
saber porque devem estudar e comportar-se na sala de aula; se passam sem
estudar mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é
um crime! Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer
contas simples. Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na
cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.
Por que os alunos do
Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais
capacitados? Talvez, mas o mais importante é porque há disciplina. E é
isso que precisamos e não de cronômetros. Lembrando: o professor
estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações
que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande
maioria dos professores está constantemente estudando e aprimorando-se.
Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros,
materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de
nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior
quantidade...
Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem
cadeiras possuem para os alunos sentarem. E é essa a nossa realidade!
E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for
fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo.
Em plena era
digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros
de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda
assim se ouve falar em cronômetros. Francamente!!!
Passou da hora
de todos abrirem os olhos e fazerem algo para evitar uma calamidade no
país, futuramente. Os professores não são culpados de uma sociedade
incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora
não responderam a todas as acusações de serem despreparados e
“incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras é porque
não tiveram TEMPO.
Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.
By Vanessa Storrer - professora da rede Municipal de Curitiba!
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