Lajedense, 39 anos de idade, e uma vida dedicada a arte plástica. Ever Romano teve contato com arte logo aos oito anos de idade, mas foi aos 15 que começou a levar a paixão como profissão. “Comecei a me dedicar para valer num curso de artes plásticas em São Paulo. De lá para cá não parei mais”, contou Romano.
Com traços cubistas e surrealistas em suas obras, Ever Romano se destaca pela originalidade de seus quadros que, na maioria das vezes, retrata o cotidiano do nordestino. “Tenho pinturas que vão do renascimento até o surrealismo, barroco e influências egípcias, mas sem nunca deixar de lado as raízes culturais do meu estado”, explicou.
“O cubismo e o surrealismo das minhas obras são relacionados aos traços culturais da região. Procuro trazer o meu ponto de vista nas obras, de maneira bem individual. As artes representam sonhos, realidades e desejos do povo nordestino”, completou.
Ever Romano garante que dá para sobreviver de arte no interior do país, todavia alerta para a falta de apoio público. “Para sobreviver de arte é preciso se desdobrar em dez. Empenho total é o segredo, mas dá para se virar sim. A parte triste é que já perdi grandes eventos fora do país por falta de verba. Falta de incentivo público. O artista plástico é esquecido pelo poder público. Se fosse feito um trabalho de incentivo nas escolas, nas comunidades, várias crianças iriam sair das ruas e se dedicarem a arte. Mas, o governo só apóia o movimento musical e assim vai ser difícil do povo valorizar a arte. Ninguém valoriza o que não conhece. Infelizmente é assim que funciona. Tenho vários projetos para conciliar arte com ressocialização, mas não é fácil obter apoio político. Fiz um trabalho no intuito de levar arte para as crianças carentes em Calçado e tive um grande retorno. Hoje, conheço vários dos meninos que aprenderam a pintar comigo, ganhando dinheiro de obras feitas por eles mesmo. Se investir na arte ela vai recompensar. Vai trazer retorno.”
Matéria veiculada na edição 0 de O Jornal
Pense nisso. #tanahorademudar

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